sábado, 14 de março de 2009

Barroco: a arte da indisciplina

O Barroco - a arte do século XVII - registra um momento de crise espiritual na cultura ocidental. O homem desse período dividi-se entre duas mentalidades, entre duas formas de ver o mundo: de um lado o paganismo e o sensualismo do Renascimento, em declínio; de outro a forte onda de religiosidade que faz lembrar o teocentrismo medieval.

Ano de 1517: a Reforma divide a Igreja entre católicos e protestantes; 1540: é fundada a Companhia de Jesus, ordem religiosa que envia missionários a vários continentes; 1563: a Igreja dá início ao movimento da Contra-Reforma, tentando impedir a expansão protestante.
Como se nota por esses eventos de século XVI, o Renascimento europeu desenvolve-se em meio a crises religiosas e movimentos de restauração da fé cristã. A presença religiosa na vida cotidiana e na vida cultural européia, contudo, é sentida de modo mais contundente na passagem do século para o século XVII, momento em que surge o Barroco.
Assim, a arte barroca, que vigora durante todo o século XVII e chega às primeiras décadas do século XVIII, registra o espírito contraditório de uma época que se divide entre as influências do Renascimento - o materialismo, o paganismo e o sensualismo - e da onda de religiosidade trazida sobretudo pela Contra-Reforma.
Como resultado dessas influências, a arte barroca é a expressão das contradições e do conflito espiritual do homem da época. Certos princípios artísticos do Renascimento, como equilíbrio, harmonia e racionalismo, foram então abandonados, o que levou o Barroco a ser visto, durante longo tempo, como uma arte indisciplinada.





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