terça-feira, 13 de janeiro de 2009

O Que é Literatura?

Sendo a literatura uma forma de linguagem, ela não só é capaz de transmitir o que se pensa e o que sente o homem de diferentes épocas, como também de interagir com o homem contemporâneo, levando-o a refletir sobre seu próprio tempo e a transformá-lo.

Conceitos e funções da literatura
Cada tipo de arte faz uso de certos materiais. A pintura trabalha com tinta, cores e formas; a música utiliza os sons; a dança, os movimentos; a arquitetura e a escultura fazem uso de formas e volumes. E a literatura, que material utiliza? De uma forma simplificada, pode se dizer que literatura é a arte da palavra. Carlos Drummons de Andrade diz, em um de seus poemas:

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.


Como qualquer arte, a literatura exige, da parte do escritor, técnicas, conhecimentos, sensibilidade e paciência. Esse trabalho às vezes se assemelha a uma luta, às vezes, a um vício:

Lutar com palavras
é a luta mais vã.
Entanto lutamos
mal rompe a manhã.
[...]
Palavra, palavra
(digo exasperado),
se me desafias,
aceito o combate.

(Carlos Drummond de Andrade)


Literatura e Comunicação

Sendo a literatura a arte da palavra e a palavra a unidade básica da língua, podemos dizer que a literatura, assim como a língua que ela utiliza, é um instrumento de comunicação e de interação social e, por isso, cumpre também o papel social de transmitir os conhecimentos e a cultura de uma comunidade.

Apesar de estar vinculada a uma língua, que lhe serve de suporte, a literatura não está presa a ela; pelo contrário, a literatura faz uso livre da língua, chegando às vezes até subverter algumas de suas regras e o sentido comum de algumas palavras.

A literatura e plurissignificação

O poeta moderno Ezra Pound define literatura deste modo: "Literatura é linguagem carregada de significado. Grande literatura é simplesmente linguagem carregada de significado até o máximo grau possível".
Observe os sentidos que envolvem a palavra flor nestes versos de Carlos Drummond de Andrade:

Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.


Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.

Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.
('A flor e a náusea'. In; Reunião 10ª ed. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1980. p. 78-9)

Os versos de Drummond, se lidos em seu sentido puramente denotativo, seriam ilógicos e perderiam muito de seu significado.
A palavra flor, empregada conotativamente, é responsável pela multiplicidade de sentidos do texto. O que ela representa? Como uma flor furar o asfalto? Por que, segundo o texto, ela 'ilude a polícia"? Sabendo-se que o poema foi publicado em 1945, durante a Segunda Guerra Mundial e durante a ditadura de Vargas no Brasil, seria um elemento que transgride a ordem estabelecida? Seria flor a metáfora da própria poesia, a poesia de resistência política, ou a metáfora de uma revolução?
Esses versos de Drummond são um claro exemplo de como a literatura, mesmo tratando da realidade, faz uso de uma linguagem plurissignificativa.


Literatura e Sociedade


Como todo tipo de arte, a literatura está vinculada à sociedade em que se origina. Não há artistas completamente indiferentes à realidade, pois, de alguma forma, todos participam dos problemas vividos pela sociedade, apesar das diferenças de interesse e de classe social.

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